Em Setembro/2010 a Tuareg realizou para o CIBAPAR (Consórcio Intermunicipal da Bacia Hidrográfica do rio Paraopeba), a primeira Expedição de Navegação total do rio Paraopeba. Foram 22 dias de viagem, onde foram percorridos 537 km de rio, da nascente na cidade de Cristiano Otoni/MG até o encontro com o rio São Francisco - na represa de Três Marias, em Felixlândia/MG.
A Expedição foi coordenada e realizada pela Tuareg Rafting, que desenvolveu o levantamento da atual realidade do Paraopeba, através de georeferenciamento por GPS, das observações dos integrantes da equipe e dos registros fotográficos e em vídeo documentário, dos pontos positivos e negativos encontrados ao longo da Expedição.
A Equipe foi composta por 6 integrantes, sendo cinco da Tuareg - Fabricio Nigro (coordenador operacional da Expedição), Adolfo Castro (vídeo documentarista e condutor de rafting), Hamiltom Rocha (condutor de embarcação a motor e responsável pela manutenção do veículo de apoio, motor de popa e pelo reboque de equipamentos), Marcelo Motta (condutor de rafting) e Ricardo de Sá (fotógrafo profissional, canoísta de resgate e condutor de rafting), e também, Sérgio Grossi (indicado pelo CIBAPAR), geógrafo responsável pelo georeferenciamento e fotógrafo.
A exploração / navegação
A navegação do Paraopeba foi realizada por três tipos de embarcações - caiaques de corredeiras, bote infláver Zefir KR também para descida de corredeiras, e um bote inflável Zefir a motor, para os longos trechos de remansos.
Nos primeiros dias o rio se apresentou estreito, com alguns trechos de pequenas quedas e corredeiras entre remansos repletos de árvores caídas no curso do rio. No percurso intermediário ele ganha força e volume de água, tornando-se mais largo e apresentando corredeiras mais fortes e longas, com até classe V de dificuldade, e também remansos. Nos trechos finais, ainda se encontram algumas corredeiras, localizadas entre longos trechos de remanso e lagos de barragens.
- Desmatamento sistemático de sua mata ciliar e da vegetação ao redor, causado por pequenas, médias e grandes propriedades, pelas mineradoras, e pela extração de areia em suas margens;
- Contaminação da água por metais pesados pelas empresas mineradoras e dezenas de outras empresas localizadas no Paraopeba e em seus afluentes;
- Balsas de exploração de ouro - clandestinas, que utilizam mercúrio da separação do mineral, lançando-o diretamente no rio;
- Contaminação dos principais afluentes e do Paraopeba, por resíduos orgânicos sem tratamento. Lançados diretamente por quase todos os municípios, cidades, distritos, comunidades e casas as suas margens;
- Represas que diminuem a vazão da água do rio, promovem o desmatamento e interrompem as piracemas;
- Ocupação irregular de áreas de mata ciliar;
- Dezenas de balsas (dragas) de extração de areia, que provoca a destruição dos barrancos, das margens e da mata ciliar, e causa o total assoreamento do leito do rio - impedindo a sua navegação.
- A mineradora Ferrous, que realiza um bom trabalho ambiental, faz a recuperação de uma antiga mina com um trabalho de contenção das encostas e a limpeza de pequenos córregos. E que realizou o desassoreamento de 60.000 toneladas de pedras do leito do rio;
- A identificação de diversas e grandes áreas de vegetação preservadas - praticamente por puro acaso;
- Visualização de dezenas de espécies de pássaros (biguás, colhereiros, falconídeos, quero-queros, martins pescadores, marrecos, graças, garçotas, siriemas e patos), dezenas de capivaras e tartarugas.
- Localização de trechos para o desenvolvimento do Ecoturismo e do Turismo de Aventura (rafting);
- E o mais interessante e importante, a constante renovação do rio após as áreas e registros de agressões ao seu meio ambiente, através de dezenas de corredeiras e de afluentes de água limpa, que promovem a mistura e a oxigenação das águas.
Os resultados
No momento a Tuareg está na finalização dos resultados obtidos na Expedição. Estamos elaborando um relatório completo do desenvolvimento dia-a-dia da Expedição, com o que foi observado, fazendo um mapeamento com a localização dos locais fotografados e finalizando o acervo dos registros obtidos - 9.000 fotografias e 28 horas de vídeo documentário.
